Quarta-feira, 21 de Outubro de 2009
Balmorhea e a febre de sexta à noite

 

 

A febre de sexta à noite é uma coisa lixada, mais lixada ainda do que estar a escrever com a tecla "c" constantemente a saltar do teclado. Nos tempos que correm é coisa para, associada a outros sintomas de sexta à noite, deixar um gajo em casa o fim-de-semana inteiro de "quarentena", à espera da merda de um resultado de uma análise que na realidade se faz em algumas horas. Enfim, negativo. Negativo o caraças, negativo foi o meu fim-de-semana! Já que era para ficar "de molho" que estivesse ao menos doente, sempre se ocupava o tempo entre a completa devastação do stock de lenços de papel e as corridas para a sanita... A situação em si já não é propriamente um programa agradável para um  fim-de-semana solarengo, mas o timing... Estas coisas têm um sentido oportunidade tramado. Certeiro e cruel. É aqui que entram os Balmorhea, banda à qual dediquei o segundo post deste blog. Pois bem, estes senhores, e senhoras, com álbum novo na bagagem, tocaram em Faro no passado Sábado. Pelo que ouvi/li dizer foi algo de extraordinário, o que de resto já se podia esperar. O bilhete, que há um mês me sorria cada vez que abria a gaveta da secretária, esse ficou em boas mãos. Menos mau. Mas conforta-me saber que a aceitação foi boa, é de certa forma um indicador de que se começa a andar mais atento a bandas como os Balmorhea que, à semelhança de milhares de bandas pertencentes a um circuito dito "alternativo", não andam às cavalitas de uma grande editora e como tal passam ao lado dos holofotes, poucos e todos a olhar para o mesmo, da maioria da comunicação social. É pena. É pena que só em Outubro descruba, por caminhos sinuosos, que os God is an Astronaut (dos quais falarei em breve) tocaram em Portalegre em Maio. Mas é a vida.

 

Mas nem tudo são desgraças. Incluídos no mesmo ciclo de concertos que trouxe até Faro os Balmorhea, actuaram também no pequeno auditório do Teatro Municipal de Faro, no passado dia 23 de Setembro, os My Little Pony. O quinteto norueguês, ainda sem álbum editado, pelo menos por cá, descreve-se no seu MySpace da seguinte forma:

 

John Lennon and Paul McCartney are having a petty fight, but fortunate enough: Morrissey intervenes and calms them down. He takes them both with him to good old Neil Youngs country bar where they have a good man to man talk about their problems and even cry a little. Afterwards all four of them head back to Brian Wilson's place where they take some LSD (for purely therapeutical reasons of course) and hallucinate about norwegian singer Lars Lillo Stenberg making a pass on Emmylou Harris.

 

O concerto: magnífico. É de certa forma estranho ver um grupo de putos, que aproveitam as férias da escola para fazer uma digressão pela Europa (!),  chegarem descontraídos a um sítio onde ninguém os conhece e tocarem a música deles, sem shows de luzes, sem pretensiosismos, a música e só a música, no seu estado mais puro. Cantam sobre coisas simples, como o morte de MacGyver (ou melhor, a suposta morte de Richard Dean Anderson) ou o verdadeiro verdadeiro sentido do Natal. Foi de certa forma como ver os primeiros passos de uma banda que junta a ternura de uns Camera Obscura com a energia de uns New Pornographers. Muito bom. Pois bem, passem pelo MySpace deles e ouçam, com especial atenção a A Song For Your 40th Birthday que é fabulosa. Fica aqui uma amostra:

 

 

 

Quanto aos Balmorhea, espero um regresso rápido ao nosso país. Embora ache que um pequeno auditório dá um ambiente mágico a um concerto, parece-me que um regresso para um concerto, mais longo, no grande auditório seria uma boa aposta. E tragam o raio da máquina de escrever! Deixo a sugestão. Entretanto vou-me continuando a deliciar com os álbuns, em especial o primeiro, Balmorhea, sem dúvida um dos melhores álbuns que ouvi nos últimos tempos. Neste momento In the Rowans acompanha elegantemente cada batida no teclado, à excepção do raio do c que continua a sair de ritmo. Sabe bem voltar a escrever. 


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publicado por acertainshadeofgrey às 02:39
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Domingo, 1 de Fevereiro de 2009
Qualquer coisa de extraordinário

 

 



publicado por acertainshadeofgrey às 05:50
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Domingo, 11 de Janeiro de 2009
Up there in my tree, living my present tense... just like a kid!

Coming out of my cage
And I've been doing just fine
Gotta gotta be down
Because I want it all

 

 

Wave to all my friends
They don't seem to notice me, no
All their eyes trained on the street
Sidewalks, cigarettes and scenes
Up here so high (REALLY HIGH!!!) I start to shake
Up here so high the sky I scrape
I'm so high I hold just one breath here within my chest
Just like innocence

 

 

You can spend your time alone
Redigesting past regrets
Or you can come to terms and realize
You're the only one who cannot forgive yourself
Makes much more sense to live in the present tense

 

The memories fade,
like looking through a fogged mirror
Decisions to decisions are made and not fought
But I thought,
this wouldn't hurt a lot.
I guess not.



publicado por acertainshadeofgrey às 06:05
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Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009
Redemption

 

 



publicado por acertainshadeofgrey às 23:01
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Segunda-feira, 22 de Dezembro de 2008
A Saga de um Burocrata

A aventura teve início em meados de Junho (ou talvez Julho, não sei ao certo), quando, depois de ter acabado a minha licenciatura em Bioquímica, fui pedir o meu certificado de habilitações aos serviços académicos da universidade. Doze euros e meio. Até nem tá mau, dado que, para além de extremamente útil, o raio do papel até é giro (tem uma bolinha que brilha e tudo!). O problema é que esta gente arranja sempre maneira de chular o pessoal. Assim sendo, para pedir o certificado de habilitações tive de pedir também a merda do diploma, um papel que, para além de inútil, é caríssimo. Não me lembro do valor exacto mas estica-se para os lados dos 150 euros, o que, por um simples papel (acredito que até seja bonitinho e tal...) é... um roubo! Embora o tenha pago na altura, só o devo receber daqui por dois ou três anos. O costume... Acho que quando o receber vou abrir um consultório e pendurá-lo na parede, devidamente embelezado pela moldura mais foleira que encontrar na loja dos chineses. Mas, adiante. 

Entretanto ganhei uma bolsa da FCT. Também aqui, na altura do concurso, tive de preencher campos e mais campos cheios de informação inútil que foi tão necessária para o painel de avaliação como a coca-cola do pingo doce é para a dieta de um atleta de alta competição. Tudo bem, foi por uma boa causa. Saídos os resultados dos concursos, há que oficializar a situação e assinar o dito contrato. Para tal é necessário enviar mais uma data de papéis para a FCT. E como papel puxa papel, para pedir um simples papel há que enviar mais uma data de papéis a uma data de gente. Assim foi. Depois, e uma vez aprovado o processo por uma data de concelhos, finalmente o tão esperado papel. Não!? Como não!? Esqueceu-se!? Tá de férias!? Só em Janeiro!? Ora foda-se! Aproveitei então para tirar logo a cópia autenticada do certificado de habilitações, sempre fica tratado. Dez euros!? Por uma fotocópia!? Mas tá tudo doido!? Foda-se que tou farto deste país de merda onde parece que as pessoas só se sentem importantes se estiverem escondidas por trás de uma data de papelada inútil e difícil acesso! Calma, a coisa assim é capaz de funcionar melhor... Olhem à volta! Funciona!? Com tanto papel ainda há gente que consegue roubar 700 milhões de euros de um banco sem ninguém dar por isso! A isto é que eu chamo funcionalidade...Das boas! A sério, vejam lá isso, porque sinceramente já não há pachorra para aturar tanta burocracia...

 

 



publicado por acertainshadeofgrey às 23:25
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Parabéns Mi!!!!

THE END IS NEAR!!

 

 

Dado o ajuntamento de velhos e bons amigos (tudo gente louca) que decorre por estas horas em Sinep, lá para os lados de Lisboa, a comemorar não só um dos cada vez mais raros encontros mas também os anos desta aboMInável criatura, é imperativo que deixe aqui uma musiquinha para celebrar este surreal momento. Só é pena não poder lá estar... Mas o reencontro está para breve!

 

 

De maneiras que, parabéns pá!



publicado por acertainshadeofgrey às 02:16
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Domingo, 21 de Dezembro de 2008
Há quanto tempo...

 

 



publicado por acertainshadeofgrey às 06:27
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Looking for Dr. Tancredi

 

 



publicado por acertainshadeofgrey às 05:56
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Sexta-feira, 19 de Dezembro de 2008
Oops!... They did it again



publicado por acertainshadeofgrey às 20:57
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Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2008
God Hates Us All

 

It's a big, bad world, full of twists and turns, and people have a way of blinking and missing the moment... the moment that could've changed everything...

 

Devo confessar que não me sentia tão agarrado a uma série desde Seinfeld, quando devorei as nove temporadas desta maravilhosa comédia como se o mundo fosse acabar. Mas Californication é do outro mundo! Criada por Tom Kapinos (Dawson's Creek), Californication foi apresentada ao mundo pela Showtime em Agosto de 2007, e não demorou a criar polémica. Embora aclamada pela crítica em geral, foram muitos aqueles, na sua maioria conservadores, que apontaram o dedo a Californication, sobretudo devido ao valente broche sacado por uma freira em plena igreja.

A acção desenrola-se em LA (ou Hell-A, como preferirem), em torno de Hank Moody, um escritor irreverente que vive às custas do sucesso do seu aclamado livro "God Hates Us All", mergulhado numa profunda falta de inspiração que o impede de escrever o que quer que seja. Hank Moody é, senão a, certamente uma das melhores personagens que alguma vez vi numa série, o que em muito se deve ao brilhante desempenho de David Duchovny (Fox Mulder, de The X-Files), que já lhe valeu um merecidíssimo Golden Globe em 2008. Moody tem uma tendência para fornicar tudo quanto é mulher em LA, o que o afasta constantemente do amor da sua vida, a sua ex-namorada Karen (Natascha McElhone). Desta relação amorosa que tem tanto de sonho como de pesadelo, nasceu Becca Moody (Madeleine Martin, atenção que esta miúda promete!), uma miúda de treze anos dotada com uma maturidade e inteligência bastante acima da média, que tem na Bíblia Satânica o seu livro de cabeceira. O maior sonho de Becca é ver os pais juntos e felizes para sempre, por muito disfuncional que isso possa parecer. Neste enredo deveras contagiante entram ainda Charlie Runkle (Evan Handler, brilhante!), o caricato agente e melhor amigo de Hank Moody, e a sua mulher Marcy Runkle (Pamela Adlon), aquilo a que se pode chamar uma mulher sem papas na língua. Por fim, Mia Lewis (Madeline Zima), filha do namorado de Karen, uma adolescente problemática que vai ganhando protagonismo ao longo da série e acaba por ser fundamental para a (dis)funcionalidade de ambas as temporadas. 

Entre sexo, nudez, droga, amor, ódio, auto-destruição e masturbação em locais públicos, destaca-se a genialidade do argumento, que resulta em diálogos absolutamente fantásticos, recheados de inteligência e sarcasmo, ao longo de toda a série. De resto, não deixa de ser estranho falar em Californication num blog, quando o próprio Hank Moody diz isto:

 

 

Hence, my self-loathing... E pronto, é isto. Vejam porque é mesmo muito, muito bom. Agora é esperar pela terceira temporada, que só sairá lá para o final de 2009... Antes de terminar, não posso deixar de pôr aqui duas das muitas cenas que fazem de Hank Moody uma das melhores personagens que alguma vez tive o prazer de ver.

 

 

 



publicado por acertainshadeofgrey às 19:01
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